A Softex, associação brasileira promovendo a expotração de software, esta tomando ações concretas a favor da capacitação profissional. Sinal de que ela compartilha a análise segundo a qual o Brasil precisa aumentar a mão de obra qualificada se quiser ficar competitivo no mercado internacional (e o poder público afirma que quer). Todas as empresas exportadores concordam no assunto e também já me expressei num assunto relacionado.De acordo com a Softex, em cinco anos serão 200 mil vagas em aberto (levando-se em consideração uma previsão de 6,5% de crescimento do mercado interno). Precisa acelerar o ritmo de formação de novos profissionais.
Ensino a distância (EAD)
Algumas particularidades do ensino e da sociedade no Brasil me fazem pensar que existe uma larga reserva de pessoas que poderiam ser formadas em engenharia de software mas que atualmente não têm acesso a um sistema que permita a sua aprendizagem. Creio que seja possível aprender as bases necessárias para começar a trabalhar no desenvolvimento de sistemas se formando com ensino a distância (EAD), usando apenas um computador e uma conexão internet. Certo, isso não da uma formação completa. Mas o necessário para começar como profissional, sim.
Essa opinião é baseada primeiro na convicção de que o conteudo a ser aprendido para se tornar um desenvolvedor competente não necessita uma formação presencial numa faculdade. Há debate a esse respeito dentro da profissão, debate ligado à questão "o que é desenvolvimento de software". Certas opiniões defendem que fundamentais teóricos são imprescindíveis: matemática aplicada, algoritmos, complexidade da computação. Por minha parte, concordo totalmente com a opinião segundo a qual "Definitely, there are some domains that require and intensively use CS theoretical knowledge: science, engineering, hardware and system programming. However, majority of software professionals build software for solving business, personal and other non-rocket science problems." [From Beginner to Master Programmer: The First Language and More].
O fato desse conteudo poder ser aprendido a distância abre um grande espaço para capacitação profissional fora dos grandes centros universitários. "De acordo com o diretor de regulação e supervisão em educação a distância do MEC, Hélio Chaves Filho [..] "Somente 30% das cidades brasileiras possuem universidades e não há interesse da iniciativa privada implantá-las nas cidades menores, então a EAD surge como alternativa para quem mora longe das faculdades" [rede Universia, "Veja como tornar a EAD um negócio atrativo"]
Dois elementos suplementares são fortemente a favor do EAD. Primeiro, a engenharia de software tem como particularidade uma divulgação muito grande de referências gratuitas e de boa qualidade na internet. A maior parte em inglês, mas matérias em português se acham também. Segundo, a engenharia de software precisa apenas de um computador para a prática. Não precisa de laboratórios, nem de qualquer outro equipamento. Uma rede de computadores basta.
Certo, eduação a distância enfrenta dificuldades, em primeiro lugar o distanciamento do individuo da sociedade. "A coordenadora da FGV, por sua vez, acredita que [..]. Os alunos se sentiriam abandonados por não fazer parte de um grupo", opina. Segundo ela, talvez a nova geração consiga fazer um curso totalmente on-line, mas mesmo usando os computadores com grande freqüência é da natureza humana buscar o contato com o outro. "Se o aluno acha que não faz parte de um grupo, isso o desmotiva e o faz abandonar a graduação", diz Marta.". (rede Universia, "É possível fazer curso totalmente a distância ?"). Mas frente a essas dificuldades também existem respostas virtuais. Hoje, graças ao Web 2.0, as comunidades podem existir virtualmente. Outras soluções intermediárias existem, como a criação de polos de apoio.
Na Sofshore, interessados em primeiro lugar na questão da formação, criamos um projeto a vocação social baseado nesses fatores: o projeto Perey
3 comments:
Oi tudo bom?
Sou tutora a distancia de um curso universitario da UFSC na modalidade EaD e também mestranda na área.
Confesso que qdo entrei no mundo do EaD fiquei preocupada com a qualidade do ensino e a visão mercantilista que estavam tomando o rumo de tudo. Como disseste o numero de cursos a distancia cresceu assustadoramente no Brasil e com ele também cresceram as possibilidades. Também por outro lado, vemos um número grande de certificados cuja qualificação não é de prestigio. Tenho muitos alunos que primam pelo certificado e não se preocupam com a qualidade. As vezes não há software, não há estrutura e não há projeto que sustente um curso EaD mal elaborado. Temos N exemplos no Brasil. Creio que falta um plano pedagógico por traz, um curso que seja atrativo e que incentive a investigação intelectual do aluno. o aluno valoriza muito isso.
Também começo a concordar que as empresas não veem o lado promissor (falo não só em capital) de oferecer cursos a distancia em cidades pequenas. As cidades pequenas esperam isso. Anseiam isso. Infelizmente muitas nao tem estrutura para tal.
Interessante seu blog, vou comenta-lo no ciclo.
Abraços e felicidades
Prezada Luiziane,
Obrigado pelo seu comentário.
Diria que a questão da qualidade e do mercantilismo no ensino não se limita ao EaD. Desde o ensino fundamental o mesmo problema existe: o aluno ou os pais dele são também clientes.
Na verdade não posso predenter ser um especialista do ramo. Meu post e o projeto Perey decorrem modestamente da minha experiência como gerente de empresária na informática.
Por isso talvez esse projeto sofra algumas imperfeições e a opinião de uma especialista seria muito valiosa.
Que tal conversarmos a esse respeito ?
Sucesso,
Achille
Eu vejo justamente como o maior desafio do ensino à distância a questão de tentar instigar o aluno a pensar por si próprio e estudar com suas próprias iniciativas, ou seja, ser auto-didata (atributo que é extremamente necessário e valorizado na área de informática).
Mas... o que torna um material on-line interessante de ser lido? O que motiva uma pessoa a estudar por si própria assuntos aos quais ela ainda não conhece?
Para algumas só o fato de não conhecer já instiga curiosidade. Mas, na minha visão, mantê-las motivadas é o maior desafio.
É realmente um projeto desafiador manter uma pessoa motivada e comprometida com um aprendizado que pode render frutos ou não dependendo da vontade quase que única e exclusivamente dela.
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