August 31, 2008

Pra que serve sua empresa ?

A confraria empresarial, grupo de pessoas físicas e jurídicas cujo objetivo é criar um ambiente ético nos negócios, organizou uma palestra do Alberto Costa no tema "Para que serve sua empresa? Ética empresarial com pré-conceitos".

Fazer Dinheiro

O principal ensino da palestra é que uma empresa serve para "fazer dinheiro" (por oposição a "ganhar" no sentido de receber gratuitamente). Conclusão que corresponde completamente a teoria economica atual: o objetivo da empresa é maximizar o lucro, riqueza dos seus donos.

Apesar do termo não ter sido mencionado na palestra, essa concepção é a da "mão invisível" atribuida ao Adam Smith que é a base da justificativa do liberalismo: "Every individual...generally, indeed, neither intends to promote the public interest, nor knows how much he is promoting it. [..] by directing that industry in such a manner as its produce may be of the greatest value, he intends only his own gain, and he is in this, as in many other cases, led by an invisible hand to promote an end which was no part of his intention." [Adam Smith, The Wealth of Nations, Book IV Chapter II]

Escassez de Recursos

Tem uma razão muito importante ao lucro, que foi sub-entendida na palestra e que me parece interessante mencionar. Desde séculos o principal "problema economico" é a melhor alocação de recursos escassos para satisfazer necessidades humanas infinitas. Um exemplo desse problema de alocação de recursos no Brasil é o bio-etanol: a mesma superficie não pode ser usada ao mesmo tempo para produzir alimentos e combustível.

O mercado é até hoje a melhor organização que encontramos para maximizar a satisfação das necessidades humanas com os recursos limitados que temos. No mercado, o lucro é simplesmente um mecanismo de alocação da produção de dos recursos: quem tem mais lucro é quem consegue atender melhor a demanda e gastar menos recursos.

Voto Plural

Contudo, desde a faculdade, uma imperfeição dessa organização pelo mercado me incomoda.

Os mercados usam dinheiro como medida comum de valor (a história da aparição da moeda como intermediário às trocas é muito interessante). O que da mais peso no mercado a quem tem mais poder aquisitivo. Se mercado for comparado a um sistema politico, diria que corresponde ao voto plural: quem tem mais renda tem mais votos.

O que me incomoda nisso é que leva a vender veiculos de mais de cem mil reais num país onde tem favelas. O exemplo acima do bio-etanol não foi escolhido por acaso. O mercado poderia levar a alocar terras para produzir combustível para os carros da nova classe media - enquanto ainda tem fome no país.

Se alguém tiver uma resposta (Alberto ?), deixe-a em comentário ?

14 comments:

Alberto Costa said...

Prezado Achille,
há, em seu post,
1) uma coisa que eu disse
2) uma coisa que eu não disse (e você diz que eu disse) e
3) uma relação entre conceitos que você faz e com a qual eu não concordo.
Por partes, como nosso amigo Jack the Ripper:
1) "O principal ensino da palestra é que uma empresa serve para 'fazer dinheiro'"
Eu disse isso e sustento - cabe, de fato, ao segundo setor a tarefa de, a partir dos capitais disponíveis (sempre escassos) aumentar o estoque de riquezas à disposição da sociedade, para atender suas necessidades e desejos. Nenhum outro setor da sociedade e nenhum outro tipo de organização é minimamente competente para essa tarefa (e isso é um fato histórico, não uma teoria acadêmica).
2) "O objetivo da empresa é maximizar o lucro"
Desculpe, mas eu não disse isso. O que eu disse, e escrevi, foi que a responsabilidade da empresa é "gerar riquezas de maneira sustentável". E que o desempenho econômico (= lucro) é a medida pela qual se afere a contribuição social da organização empresarial. E a palavra "sustentável" definitivamente estabelece limites significativos à maximização do lucro como objetivo.
3) Definitivamente, amigo, eu disse claramente que o lucro não pode ser confundido com a "riqueza dos seus donos", e que uma confusão entre o acionista e a empresa, a pessoa física e a jurídica, é uma importante distorção.
Então, vamos esclarecer isso: a função social do lucro é:
a) remunerar o capital próprio e de terceiros investido na empresa
b) remunerar o trabalho
c) pagar impostos
Não existe nenhuma ética empresarial digna desse nome em utilizar recursos sociais para produzir uma riqueza que é apropriada exclusivamente pelo empreendedor ("dono" é uma palavra do tempo em que a economia estava baseada principalmente na propriedade da terra - a geração dos meus filhos pensa desse tempo a mesma coisa que pensa do tempo de Noé, o da arca, ou do tempo dos pterodáctilos - distante demais para ser relevante).
Feitas as ponderações e correções, uma observação deve ser feita ao raciocínio posterior, assim expresso:"Os mercados usam dinheiro como medida comum de valor (a história da aparição da moeda como intermediário às trocas é muito interessante). O que da mais peso no mercado a quem tem mais poder aquisitivo. Se mercado for comparado a um sistema politico, diria que corresponde ao voto plural: quem tem mais renda tem mais votos."
Discordo fundamentalmente, porque o raciocínio é viciado. A relação "mais dinheiro --> mais poder" é imprecisa. É o mesmo que afirmar "maior enxurrada --> maior o temporal". Há uma relação direta entre as duas coisas, mas estabelecer causalidade implica inverter as equações. Não é a enxurrada que provoca chuva. Não é o dinheiro que produz poder. Chuva produz enxurrada. Concentração de poder produz concentração de dinheiro. Inverter o raciocínio gera falácias.
E o que é que confere poder, então? Vou arriscar: na pré-história, na idade antiga, na idade média, na idade moderna e no século XXI, o poder é "conferido" a quem tem competência para tomá-lo à força (enquanto conseguir mantê-lo) ou é conferido a quem tem competência para produzir uma contribuição valorizada pela sociedade (segurança, provisão, bem-estar, status, prazer, etc.) - e o dinheiro é carreado pela sociedade para dar suporte a esse poder por ela legitimado.
Tomar o efeito pela causa foi o erro do socialismo e é o erro de muito capitalista mal informado (justamente o tipo de pessoa a quem eu tentava instruir com minha palestra). Foi para isso que eu quis chamar a atenção. O lucro é conseqüência de a sociedade perceber que a empresa detém o poder de fornecer uma contribuição relevante. O dinheiro nunca é causa da contribuição - o dinheiro é uma condição para a contribuição e o mercado só o direciona para quem prova ter competência para oferecer a contribuição necessária e/ou desejada.
Então, não estou preocupado com a discussão um tanto apocalíptica sobre alimentos x biocombustível. O mercado dirigirá o dinheiro para onde houver mais competência para gerar contribuição valorizada pela sociedade (seja qual for) - e se não o fizer, por causa de distorções naturais da natureza humana, as estruturas do Estado têm a obrigação de administrar justiça (restabelecer equilíbrios, lembra-se?). Se não o fizer adequada e tempestivamente, terá de prestar contas, igualmente, de suas responsabilidades (e isso acontece com freqüência, como o podem testemunhar ditadores e governantes incompetentes).
A História mostra que não vale a pena tentar corrigir isto – é como querer revogar a lei da gravidade por causa do risco que correm as crianças de cair do 8º andar. É pior a emenda que o soneto.
Abraços.
Alberto

H said...

Prezado Alberto,

Já como diria a minha namorada, "xiiii essa conversa vai longe" (nesta hora, esta dormindo, embalada pelo doce som do teclado). Creio que o melhor lugar para conversarmos tanto não seja mais um blog mas sim uma conversa pessoal. Contudo, não pudia deixar de responder aqui a algumas das suas colocações.

Indo por parts do jeito de definiu:

2) Passo esta parte da discussão. Entendo que você queira deixar sua tese bem clara mas minha resposta a esse respeito ia agregar pouco ao debate. Consideremos que meu post não foi claro o suficiente.

Embora tenha muito que perguntar quanto ao lugar de "sustentavel" na prática. O lucro pode ser medido, mas "sustentável"... conhecemos a preferencia do ser humano pelo presente.

3) Temos antes de tudo um problema de definição do termo "lucro". De acordo com o que aprendi, o lucro é o que resta DEPOIS da remuneração do trabalho, do capital de terceiros e eventualmente do pagamento dos impostos. O lucro é, em definitiva, a remuneração do capital próprio.

Definido assim, o lucro é efetivamente uma riqueza que pertence ao dono da empresa (ver abaixo a discussão do termo "dono"), é a remuneração do seu investimento. Náo há confusão de património nisso. Mesmo que o lucro não seja distribuído, ele pertence a quem é proprietáro da empresa.

Quanto a questão do termo "dono" ser coisa do passado, devo dizer que ao meu ver pouco importa o termo: dono, proprietário, seja o que for. O dono é o acionista na SA ou o sócio na LTDA, enfim é a quem a empresa pertence. Além disso, discordo bastante do termo "empreendedor" para designar o prorietário da empresa de modo geral. O termo ainda vale para micro e pequenas empresas. Mas muitos acionistas de SA não são empreendedores, eles são investidores. Eles não empreendem diretamente, eles arriscam seu dinheiro no empreendismo de outros.

4) Juntando agora um quarto ponto sobre a questão do "voto plural". Escreve "O mercado dirigirá o dinheiro para onde houver mais competência para gerar contribuição valorizada pela sociedade (seja qual for)". Ai que esta todo o meu problema: quem dirige o dinheiro é quem tem dinheiro. Existe uma parte importante da população brasileira que pouco tem acesso ao mercado. É nesse sentido que o voto no "parlamento mercado" é plural. A esse respeito, a emergência de uma classe média com hábitos de consumo diferentes (carne, automovel) é um drama para os mais pobres. Não somente no Brasil, mas no mundo inteiro - China em particular.

Não deveria então dizer, modificando um pouco seu comentário, que "O lucro é conseqüência de a sociedade [COM PODER AQUISITIVO] perceber que a empresa detém o poder de fornecer uma contribuição relevante." ?

Vem la toda a discussão quanto ao liberalismo e à posição do poder público. Discussão muito interessante (todos os citadões responsáveis deveriam se questionar sobre isso) porém muito longa é sujeita a um severo risco de "conversa de surdos".

Por isso talvez seja melhor continuarmos pessoalmente ?

Rodrigo Lóssio said...

Pessoal, discussão profunda, hein. Não tenho a capacidade de acompanhar e emitir opinião, pois está de altíssimo nível.

dandanmundoafora said...

Eu concordo com o Rodrigo e vou ficar na fila do gargarejo só assistindo ;)

Ligia Fascioni said...

Oi, Achille!

Olha, não sei como é na França, mas no Brasil o voto dos pobres sempre valeu mais que o dos ricos. Os Estados mais pobres da Federação precisam de menos votos para eleger um senador do que um vereador precisa para se eleger na cidade de São Paulo.

Quem elege o presidente e todos os políticos que estão aí não é a classe média, que lê jornal. É justamente a parcela mais desassistida da população, que, mesmo sem saber, é a principal responsável pela manutenção da sua própria miséria quando elege corruptos.

Sei que mudei um pouco o foco da discussão, mas não pude resistir à sua frase de que o voto de quem tem mais dinheiro vale mais. Antes fosse...

H said...

Boa noite Lígia,

Devo confessar um conhecimento muito limitado do sistema político brasileiro.

Vou tentar descobrir qual mecanismo institucional leva a não ter "uma pessoa = um voto".

Mas tentei começar a entender a polica brasileira (por causa das eleições).

Primeiro passo, dei uma olhada na lista dos partidos políticos. Surreal. 27. São 27 partidos, com todas as combinações possiveis das palavras "partido", "trabalhista", "democrata" e afins. Assim existe um "democratas", três partidos trabalhistas (PTB, PT do B, PTN, sem falar do PT, do PTC ou do PSTU) e, claro, um "partido democrático trabalhista".

Nada menos do que 7 partidos são de uma forma ou outra "trabalhista".

Essa profusão de partidos me deixa um tanto quanto perplexo...

Brigitte said...

Acho que o problema não é uma pessoa = (ou não) um voto, mas é por causa do numero de senadores e deputados que é o mesmo para todos os estados, não ? Entao, tem que ter menos votos para eligir uma pessoa nos estados de menora população (sempre mais pobre), por exemplo ? Estou errada ?

Ligia Fascioni said...

Oi, Brigitte!
É isso mesmo. Como o número de senadores é igual para todos os estados, onde a população é menor são necessários menos votos para se eleger, gerando distorções graves. Para eleger um senador, por exemplo, o voto de um paraense pode valer até 20 vezes mais que o de um paulista (não sei se o número é esse, mas a proporção é assustadora).

Para presidente o voto de todo mundo é igual, mas é sabido que o pessoal que não lê jornal (a maioria esmagadora do país é formada por analfabetos ou analfabetos funcionais) é quem tem mais poder para decidir quem vai ser eleito, pelo simples fato de ser maioria.

Essa corrupção toda que se vê, é, de certa forma, resultado disso. Há coisas realmente absurdas, como acusados de assassinato poderem se candidatar e se eleger, obtendo, então o tal foro privilegiado para seguir a sua vida em paz. Enquanto isso, a classe média faz de conta que não é com ela.

O grande historiador inglês Antony Toinbee já dizia que o maior castigo para aqueles que não se interessam por política é serem governados pelos que se interessam...

Brigitte said...

Oi Lígia ! Obrigada pela sua resposta.

Quanto ao número de partidos políticos, eu li um artigo de Stéphane Monclaire, politologo francês e especialista do Brasil. Ele diz que a política social de Lula melhorou a vida de uma grande parte da população que não tem um maior salario mas, graças à Bolsa familia e novos empregos, a possibilidade de viver melhor, comprar bens, etc.
Então, com o melhoramento da vida, com a lente mas constante progressão do nível de educação, os pobres vão ler jornal e ser mais interassados pela política.
E possivel que, com o nascimento de um interesse da população para a política, as forças políticas mudem depois as proximas eleções. Por exemplo, ele diz que o PT poderia crescer e os pequenos partidos sofrer muito e talvez desaparecer.
E uma boa noticia ! Uma oferta política simples é mais facíl a entender para a população e, então ela se interessa mais.
Stephane Monclaire diz tambem que o Brasil precisa de uma reforma politica que Lula não fiz porque ele esta ligado aos politicos que ajudam à manter a majoridade dele. Se ele mudar o sistema eleitoral atual (entre outros o numero igual de senadores para todos os estados), uma grande parte desses elegidos não poderão ter um novo mandato.
Mas Lula chega ao fin de segundo mandato, ele não sera - provavelmente - candidato e o PT não teria ninguem para suceder a ele. Então a politica do Brasil vai mudar rapidamente ...
Queria ter o aviso dos Brasileiros nesse assunto.
Eu sei que meu comentario não tem nada a ver com o primeiro posto de Achille mas estou interessada pela política do Brasil e, como ele diz : as vezes, um comentário mesmo inutil é melhor que nenhum comentário ... :-))

Alberto Costa said...

Brigitte,
Política não é minha praia, mas um gestor não pode ignorar isto e um cidadão responsável não pode se omitir de ter posições (e, sendo pai, tenho consciência de minhas responsabilidades em relação a meus descendentes). Então, quero intervir neste ponto da discussão. Porque há uma afirmação que é preciso questionar.
"Então, com o melhoramento da vida, com a lenta mas constante progressão do nível de educação, os pobres vão ler jornal e ser mais interessados pela política." A Brigitte escreveu isso ou citou. Mas a experiência mostra o contrário. Que o interesse pela política diminui na classe média em relação às classes menos favorecidas. É claro, o interesse da classe média, quando se manifesta, é melhor informado e tem mais qualidade. Mas o interesse em si é menor, porque a classe média tende a agregar outras preocupações e está mais consciente de que o Estado não tem as soluções de que ela precisa, enquanto as classes mais baixas, extremamente dependentes da ação do Estado, interessam-se mais pela política (mesmo que mal informadas e com vícios ideológicos). O morador do morro da Prainha sabe o nome de pelo menos um vereador, enquanto o jovem universitário na Trindade eventualmente não sabe sequer o nome do prefeito. E o sul do país é muito mais apático em relação a eleições que o nordeste.
O que precisamos é não confundir intensidade do interesse com qualidade do interesse. A mobilidade das classes E e D em direção à classe C não faz o processo político mais popular - provoca, sim, maior apatia.
Alberto

Ligia Fascioni said...

Oi, Brigitte! Concordo com o Alberto.

Penso que enquanto os investimentos em educação forem muito maiores nos cursos superiores (que vai inchar mais ainda com a política de cotas) e ridículos no ensino básico e médio, onde o problema está, não vejo solução para o país.

Não devemos esquecer que o presidente Lula aumentou o número de cargos comissionados (sem concurso) de uma maneira tão vergonhosa que num país sério já seria motivo para um impeachment. Isso sem contar os inúmeros casos de corrupção comprovados com documentos cujas pessoas ele apóia e defende até hoje (incluindo o filho dele). Se essa dinheirama toda fosse investida na educação básica, aí sim a realidade poderia mudar. Doando bolsas família ele só ganha mais votos para continuar tudo como está.

Desculpe se discordo tanto de você, mas ultimamente ando tão injuriada com essa política que tenho tido uma vontade incontrolável de emigrar para a Nova Zelândia...

Brigitte said...

Oi Lígia e Alberto,
Obrigada pelas respostas.
E dificil para uma Belga de ter uma opinião sobre a política de Lula, porquê os jornais daqui não falam dela (exceto durante as eleições). Então eu leio o Globo online - que parece pro Lula - e as vezes artigos na internet. A opinião que eu escrevi não é a minha mas aquela do politologo francês.
Meu professor de português, aqui, um Brasileiro, me ensina novos palavrões cada vez que ele fala de Lula.
No Brasil, encontrei muitas pessoas da classe média contra Lula e algumas pessoas pro ele. Mas, como disse Alberto, o interesse delas parece menor.

Eu gosto do Brasil, viajei muito. Em Brasília, meu interesse por políca aumentou e queria conhecer melhor a historia brasileira, o aparelho político e suas consequências sobre a vida de todos os dias. Acho tambem que é importante de se interessar por política para conhecer um país de outra maneira que pelo turismo.

Ligia Fascioni said...

Brigitte, você é belga? Uauuuu!!!

Se metade dos brasileiros escrevesse um português tão correto como você (e o Achille), este país estaria salvo!!

Parabéns, você passou por brasileira (e ainda por cima culta, porque escreve muito bem). Eu nem desconfiava (acho que o Alberto também não).

A Internet é mesmo uma coisa maravilhosa, né? Espero que você nos visite em breve!

Brigitte said...

Muito obrigada, Lígia.
Seu comentario me dá muito orgulho ! :-))
Espero tambem ter a sorte de voltar ao Brasil rapidamente.