June 17, 2008

Razões de criar uma empresa: ser seu chefe

Mas no fundo, porque se lançar nessa aventura de criar uma empresa ?

"empreendedor é quem cria uma empresa onde nunca trabalharia, e se trabalhasse seria imediatamente demitido"
Pra ser seu próprio chefe e ter liberdade ? Certo, é um jeito de chegar em um só passo no topo da piramide e de não ter mais que prestar contas a um chefe. Não posso negar que essa faça parte das minhas motivações.

Mas cuidado pra não errar no sentido completo de "liberdade". Eu diria até que se "ser livre" for a sua única razão, você é vítima de um erro de interpretação do termo e de todas suas implicações. Fracasso garantido.

A diferença entre a posição de "subalterno" numa empresa e a de dirigente é que não valem mais as regras definidas pelos superiores. Consequentemente, não tem mais castigo imediato se essas regras forem violadas. Uma certa liberdade, efetivamente.

Passando a liderar, mudam a posição no jogo e as regras aplicadas. Mas não suprime as regras. Liberdade ? Sim, liberdade de errar. Liberdade de tomar decisões certas ou erradas, sem saber exatamente a primeira vista onde esta o certo. E pena terá, e se não for imediata será apenas para ser mais dura (ai que entra a noção de risco e de sua remuneração. Noção que, fato interessante, não evoluiu muito na teoria economica desde as conceições fisiocratas)

Afinal, eu definiria mais a liderança da empresa com uma sensação de espaço. Como no topo de uma colina, com a visão portando longe. É bonito.

Mas cadê o lobo ?

June 04, 2008

Sofshore: introdução

Quase um mês passou desde que criei esse blog que deve ser consagrado entre outros à criação de uma empresa, a Sofshore. Esta mais do que na hora de falar um pouco da mesma.

Resumindo numa só linha :

Sofshore é uma empresa de serviços em engenharia de software

  • Prestadora de serviços. Essa escolha vem diretamente da minha experiência. O ramo do desenvolvimento pode ser dividido em duas áreas. O “projeto” consistindo em desenvolver sistemas para terceiros. O “produto”, que é o desenvolvimento de um pacote próprio e de qual a empresa vende liçenças de uso. A discussão das vantagens respetivas não se enquadra nesse post, mas uma coisa esta certa : o desenvolvimento de produto requer um esforço inicial sobre o qual muitas « start-ups » se mataram;

  • Desenvolvimento de software. Construir software é uma profissão particular, que não é tão técnica como se acredita em geral : é na verdade uma criação cartesiana. Com certeza voltarei no assunto. É uma profissão muitas vezes difícil onde a experiencia é primordial e as armadilhas numerosas.

Terei com certeza muito mais para dizer sobre nossa identidade, nossos clientes, nossa organização, nossa história. Mas isso é outra história, que será contada outra vez…

June 03, 2008

O líder: minha resposta

Num precedente post escrevi sobre o estilo de liderança na empresa em geral e na Sofshore em particular. Nesse post fiz uma pergunta e prometi uma resposta. Aqui vem.

Na realidade, entre dois extremos do espectro dos estilos de liderança que são « o chefe despotico » e « o lider espiritual » existe um continuum de possibilidades. Sempre existem regras, limites não ultrapassaveis do que é aceitavel e do que não é. Por mais que a direção seja « liderando », quem dirige fica com os poderes do chefe – por definição das bases do mundo empresarial.

Ainda mais, a organização da empresa é composta de várias dimensões com um certo grau de independência entre elas. Tipicamente, numa empresa de prestação de serviços como a Sofshore, existe uma dimensão administrativa (remunerações, organização das férias, etc) e uma dimensão técnica (processo de desenvolvimento), as duas tendo um estilo (até certo ponto) diferente.

Deve-se mencionar também o aspecto cultural como comentado pela excelente Lígia Fascioni. A cultura da empresa se sobrepõe à cultura local, induzindo comportamentos diferentes do "natural" local.

Portanto, a pergunta feita no precedente post era (voluntariamente) um pouco grosseira. Ela continha implicitamente um "ou" exclusivo quando na realidade não tem tanta exclusividade. Entre chefe carismatico e lider autoritário os limites não são tão claros. Resumindo, a questão não é de saber se tem que ser um ou outro, a questão é de delimitar áreas de autonomia e condições limites (« até onde pode ir longe demais ») assim como de implantar canais eficientes de comunicação da estratégia.

Uma coisa é certa : preciso « sentir » a equipe, ter um feed-back dela sobre o trabalho de emprea. Recursos humanos são – e ainda mais nos serviços – um fator crítico de sucesso. Não vejo como deixa-los numa posição apenas silenciosamente ancilar.