Vindo de uma consultoria Belga, imaginava implementar no Brasil a mesma política de gestão dos recursos humanos que eu conhecia la. O principio é de uma parceria a longo prazo entre os funcionários e a empresa.Quanto à formação, a política é baseada num principio simples: nós vendemos serviços, portanto competência. Logo, no nosso setor tecnológico em evolução constante, a formação tem uma importância crucial. A formação é boa para a empresa, mas também para o desenvolvedor. Primeiro porque mais competências levam cedo ou tarde ao crescimento profissional. E também por varios fatores que fazem o trabalho de desenvolvedor ser interessante, estimulante e desafiador (entre outros).
Na prática, esta política se traduz por varios incentivos à formação: definição de um plano, subsidiação de cursos ou certificações, tempo dedicado para a aprendizagem (como se faz na Google ou na Ferrari). Enfim, vários investimentos da empresa, que podem representar no total um custo substencial. E é esta mesma politica que implementamos na Sofshore - mesmo que de jeito ao meu ver insuficiente.
Porém, quando cheguei no Brasil, me espantei com a pequena proporção das empresas de TI que pagam as certificações. Me espantei, de modo geral, com a relutância das empresas em investir diretamente em formação.
Talvez eu tenha conseguido uma resposta a este aparente mistério. Um detalhe cultural brasileiro atropela a politica descrita acima. Na minha experiência no Brasil, os desenvolvedores juniores e plenos ficam em torno de 1,5 ano numa mesma empresa. Contando que o tempo para um desenvolvedor aprender e integrar completamente uma tecnologia é de um ano, o ROI da formação intensiva é difícilmente positivo.
Sendo assim, a estratégia mais lógica é de recrutar um desenvolvedor já formado (em geral, de outra empresa). Fenômeno acentuado pela relativa importância do fator financeiro nas preferências dos empregados.
Do ponto de vista macro-economico, vejo nisso um "desincentivo" muito forte à capacitação de novos desenvolvedores - contribuindo para a falta de mão da obra qualificada.

Olá, meu nome é Mauricio P. Fritsch, achei as postagens ótimas, vou recomendar ao pessoal da faculdade.
ReplyDeleteabraço.
os desenvolvedores juniores e plenos ficam em torno de 1,5 ano numa mesma empresa...Fenômeno acentuado pela relativa importância do fator financeiro nas preferências dos empregados.Olá, gostaria de saber se vc acha isso errado ??
ReplyDeleteO que vejo em Fpolis é uma grande quantidade de empresas, senão todas, pagando muito pouco e exigindo muito. Pagando uma média de 2.000 pra trabalhar 8h e as vezes mais(famoso banco de horas). Enquanto pra ser um motorista da transol e trabalhar 6h+beneficios média de 1.500...
Pescador,
ReplyDeleteO post contém a mera constatação de um fenômeno, não um julgamento.
Na verdade, visto o custo de vida no Brasil, é normal querer ganhar mais.
Quanto ao seu comentário sobre os motoristas da transol, pelo visto você errou de profissão. Porque então não vai trabalhar como motorista ?