March 10, 2009

Formação: ROI negativo ?

Vindo de uma consultoria Belga, imaginava implementar no Brasil a mesma política de gestão dos recursos humanos que eu conhecia la. O principio é de uma parceria a longo prazo entre os funcionários e a empresa.

Quanto à formação, a política é baseada num principio simples: nós vendemos serviços, portanto competência. Logo, no nosso setor tecnológico em evolução constante, a formação tem uma importância crucial. A formação é boa para a empresa, mas também para o desenvolvedor. Primeiro porque mais competências levam cedo ou tarde ao crescimento profissional. E também por varios fatores que fazem o trabalho de desenvolvedor ser interessante, estimulante e desafiador (entre outros).

Na prática, esta política se traduz por varios incentivos à formação: definição de um plano, subsidiação de cursos ou certificações, tempo dedicado para a aprendizagem (como se faz na Google ou na Ferrari). Enfim, vários investimentos da empresa, que podem representar no total um custo substencial. E é esta mesma politica que implementamos na Sofshore - mesmo que de jeito ao meu ver insuficiente.

Porém, quando cheguei no Brasil, me espantei com a pequena proporção das empresas de TI que pagam as certificações. Me espantei, de modo geral, com a relutância das empresas em investir diretamente em formação.

Talvez eu tenha conseguido uma resposta a este aparente mistério. Um detalhe cultural brasileiro atropela a politica descrita acima. Na minha experiência no Brasil, os desenvolvedores juniores e plenos ficam em torno de 1,5 ano numa mesma empresa. Contando que o tempo para um desenvolvedor aprender e integrar completamente uma tecnologia é de um ano, o ROI da formação intensiva é difícilmente positivo.

Sendo assim, a estratégia mais lógica é de recrutar um desenvolvedor já formado (em geral, de outra empresa). Fenômeno acentuado pela relativa importância do fator financeiro nas preferências dos empregados.

Do ponto de vista macro-economico, vejo nisso um "desincentivo" muito forte à capacitação de novos desenvolvedores - contribuindo para a falta de mão da obra qualificada.

3 comments:

  1. Olá, meu nome é Mauricio P. Fritsch, achei as postagens ótimas, vou recomendar ao pessoal da faculdade.

    abraço.

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  2. os desenvolvedores juniores e plenos ficam em torno de 1,5 ano numa mesma empresa...Fenômeno acentuado pela relativa importância do fator financeiro nas preferências dos empregados.Olá, gostaria de saber se vc acha isso errado ??
    O que vejo em Fpolis é uma grande quantidade de empresas, senão todas, pagando muito pouco e exigindo muito. Pagando uma média de 2.000 pra trabalhar 8h e as vezes mais(famoso banco de horas). Enquanto pra ser um motorista da transol e trabalhar 6h+beneficios média de 1.500...

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  3. Pescador,

    O post contém a mera constatação de um fenômeno, não um julgamento.

    Na verdade, visto o custo de vida no Brasil, é normal querer ganhar mais.

    Quanto ao seu comentário sobre os motoristas da transol, pelo visto você errou de profissão. Porque então não vai trabalhar como motorista ?

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